Após perder a disputa e ver o partido reduzir a representação, deputada enfrenta movimento por reorganização da legenda
A derrota da deputada estadual Janaina Riva na disputa pelo Senado Federal abriu uma discussão sobre o futuro do MDB em Mato Grosso, e colocou em debate sua permanência na presidência estadual da legenda.
Integrantes do partido defendem mudanças na direção e uma reorganização das bases municipais, após o desempenho eleitoral considerado insatisfatório por parte dos dirigentes.
O movimento ganhou visibilidade nesta semana, quando o deputado estadual Dr. João confirmou que parlamentares e lideranças emedebistas começaram a discutir uma reformulação da estrutura partidária.
Embora a possibilidade de substituição de Janaina esteja entre os assuntos levantados, ainda não existe uma decisão formal sobre a presidência.
As articulações ocorrem em um momento de avaliação dos resultados das eleições de outubro e deverão avançar até o fim do ano, quando o partido pretende definir sua estratégia para os próximos anos.
“Nós já conversamos, eu, o deputado Thiago, o deputado Léo, o Botelho, que nós vamos estruturar o partido em todos os municípios do Estado. Então estamos esperando agora esse final de ano para finalizar. Deve mudar um pouco a direção, deve mudar a ideia do partido. Vai voltar aquele MDB antigo, da militância”, afirmou Dr. João, em declaração, na quarta-feira (28).
A manifestação indica que parte dos dirigentes pretende recuperar a atuação partidária nos municípios e fortalecer a participação de filiados e lideranças locais nas decisões da legenda.
Janaina assumiu o comando estadual do MDB em 21 de agosto de 2025, tornando-se a primeira mulher a presidir o partido em Mato Grosso.
Sua chegada à direção representou uma aposta na renovação da legenda e na construção de um projeto eleitoral competitivo para 2026.
A candidatura da deputada ao Senado era uma das principais iniciativas dessa estratégia.
O resultado das urnas, entretanto, frustrou as expectativas. Janaina não conquistou nenhuma das duas vagas em disputa, vencidas por Mauro Mendes (União Brasil) e José Medeiros (PL).
A derrota, somada às dificuldades enfrentadas pelo MDB nas eleições proporcionais, ampliou o debate sobre a necessidade de mudanças na condução partidária.
PERDA DE ESPAÇO – O desempenho eleitoral também atingiu a representação do MDB na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
No Legislativo estadual, a legenda conseguiu reeleger Dr. João e Thiago Silva, mas não garantiu a permanência de Eduardo Botelho na próxima legislatura.
A situação representa uma redução da bancada e diminui a capacidade de articulação política do partido na Assembleia a partir de 2027.
Na Câmara Federal, o MDB também perdeu espaço em Mato Grosso.
Emanuelzinho e Juarez Costa, que haviam sido eleitos pela sigla na legislatura anterior, deixaram o partido.
Durante a preparação para o pleito, a legenda já enfrentava dificuldades para formar uma chapa competitiva de candidatos a deputado federal.
O resultado dessas movimentações deixou o MDB diante do desafio de reconstruir sua representação parlamentar e ampliar sua presença nas principais regiões do Estado.
Tradicionalmente uma das forças políticas mais importantes de Mato Grosso, o partido já comandou o Governo do Estado, administrou municípios estratégicos e manteve bancadas expressivas nos legislativos estadual e federal.
Agora, dirigentes defendem que a recuperação desse espaço passe pela reorganização dos diretórios municipais e pela retomada da militância.
MUDANÇA NEGOCIADA – Apesar da insatisfação com o desempenho eleitoral, Dr. João procurou afastar a possibilidade de uma disputa imediata pelo comando estadual.
Segundo ele, os parlamentares ainda não discutiram formalmente a substituição de Janaina e pretendem conversar com a presidente antes de tomar qualquer decisão.
“Não, presidência não conversamos ainda. Nós temos que esperar, nós temos que sentar com a deputada Janaina com muito respeito, sentar com ela, ver o que a deputada pretende fazer, a ideia dela, para não ter confusão, não ter racha, não ter briga”, declarou.
A posição demonstra a preocupação de parte das lideranças em evitar que a reorganização se transforme em uma disputa interna capaz de aprofundar o enfraquecimento eleitoral da legenda.
A possibilidade de mudanças na direção, portanto, permanece em aberto.
O grupo deverá avaliar tanto a composição da presidência estadual quanto a estrutura de funcionamento dos diretórios municipais e a participação das lideranças regionais.
DE OLHO EM 2028 – A reorganização do MDB também está relacionada às eleições municipais de 2028.
A legenda pretende recuperar espaço nas prefeituras e câmaras municipais, ampliar sua base de filiados e construir novas alianças políticas.
Outro ponto que deverá entrar nas discussões é o posicionamento do partido diante do governo de Otaviano Pivetta (Republicanos), eleito governador no primeiro turno.
As decisões sobre alianças e participação no cenário político estadual poderão influenciar diretamente a estratégia emedebista para as próximas disputas eleitorais.
A permanência ou eventual substituição de Janaina na presidência estadual será um dos principais temas desse processo.
Até o momento, não há anúncio de renúncia, destituição ou definição de um sucessor. As declarações de Dr. João indicam a existência de uma discussão interna, mas não significam que a mudança esteja decidida.
POSIÇÃO DE JANAINA – A deputada ainda não teve sua posição apresentada no material disponível sobre a possibilidade de deixar a presidência do MDB.
A manifestação da parlamentar é importante para esclarecer se pretende permanecer no comando, liderar pessoalmente a reorganização ou negociar uma nova composição da direção estadual.
Enquanto isso, o MDB entra na fase de avaliação dos resultados de 2026 diante de um desafio duplo: superar as perdas eleitorais e definir quem conduzirá a reconstrução partidária em Mato Grosso.