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06 de Outubro, 2026 - 07:32
Família Campos sai de cena e não ocupará cargos ano que vem


A eleição de 2026 pode entrar para a história política de Mato Grosso não apenas pela renovação de nomes e forças partidárias, mas pelo encerramento de um ciclo que atravessou diferentes regimes, partidos e gerações. Com a não reeleição do deputado estadual Júlio Campos (União), a família Campos deixará, a partir de 2027, de ter um representante com mandato eletivo no Estado desde o século passado.



O desfecho completa uma sequência de derrotas e mudanças que começou antes mesmo da abertura das urnas. O senador Jayme Campos (União), irmão de Júlio, encerra seu mandato em 31 de janeiro de 2027 sem ter conseguido transformar em candidatura a tentativa de disputar o governo de Mato Grosso. Em julho, a convenção estadual do União Brasil decidiu apoiar a reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos), derrotando politicamente a estratégia de Jayme de retornar à disputa pelo Palácio Paiaguás.



A saída simultânea dos dois irmãos do mapa dos mandatos eletivos interrompe uma presença política que se estendeu por mais de cinco décadas. Júlio, hoje com 79 anos, entrou na política institucional ainda nos anos 1970. Foi prefeito de Várzea Grande, deputado federal, governador, senador e, posteriormente, voltou à Câmara dos Deputados. Em 2022, aos 75 anos, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso com 33.800 votos, cargo que faltava em sua longa trajetória.



A tentativa de permanecer no Legislativo estadual, porém, não prosperou em 2026. Sem conseguir uma vaga entre os eleitos, Júlio terminou na suplência da chapa do União. O resultado contrasta com a longevidade de uma carreira marcada pela sucessão de cargos. Em 1978, foi eleito deputado federal com 39.814 votos. Quatro anos depois, chegou ao governo de Mato Grosso. Em 1986, deixou o Executivo para disputar uma cadeira na Assembleia Nacional Constituinte e foi o constituinte mais votado do Estado, com 61.002 votos.



Em 1990, elegeu-se senador com 331.212 votos. Em 1998, tentou voltar ao Palácio Paiaguás. Perdeu para Dante de Oliveira. Júlio obteve 332.023 votos, enquanto Dante chegou a 472.409, com 53,95%. A derrota marcou o início de um período de afastamento das urnas. Júlio deixou o Senado em janeiro de 1999 e permaneceu fora de cargos eletivos durante parte da década seguinte.



Em 2008, tentou retornar à Prefeitura de Várzea Grande, mas terminou em segundo lugar, com 45.688 votos. Dois anos depois, voltou ao Congresso: foi eleito deputado federal em 2010 com 72.560 votos.


Fotos por: Reprodução
Fonte: Pablo Rodrigo/Gazeta Digital
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